Essa história parece ser chata, mas tenha certeza que é muitíssimo interessante…!

” Um professor de Física, no começo do século XX, relatou a seguinte experiência:
“Há algum tempo, recebi um convite para servir de árbitro na revisão de uma prova de Física. O professor queria atribuir-lhe nota “zero”. O aluno contestava tal conceito, alegando me merecia nota máxima. Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido.
Li a questão da prova: “Mostre como determinar a altura de um edifício bem alto com o auxílio de um barômetro”. A resposta do estudante foi a seguinte:
“Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre nele uma corda; baixe o barômetro até a calçada, em seguida levante e meça o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício.”.
O estudante tinha razão, pois a resposta satisfazia o enunciado, de certa forma, completa e corretamente. Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada sua aprovação em um curso de Física, enquanto a resposta não confirmava isso. Sugeri então conceder uma nova chance ao estudante: ele teria seis minutos para responder a questão, e sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento em Física.
Passados cinco minutos, ele ainda não havia escrito nada. Perguntei-lhe então se desejava desistir, mas ele respondeu que havia muitas respostas para o problema e estava escolhendo a melhor entre elas. Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse.
No momento seguinte ele escreveu esta resposta:
“Vá ao alto do edifício. Da ponta do telhado, solte o barômetro, medindo o tempo t de queda até o solo. Depois, empregando a fórmula: h= gt²/2, calcula-se a altura do edifício.”.
Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta. Ele disse que sim, e atribuiu nota máxima à prova, ainda que houvesse uma expressão de descontentamento, talvez inconformismo.
Ao sair da sala, lembrei-me de que o estudante afirmara ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram as respostas.
- Ah, sim! – Disse ele. – há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a a juda de um barômetro.
Perante a minha curiosidade e a já perplexidade do meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações:
- Por exemplo. Num belo dia de sol, pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo. Em seguida, mede-se o comprimento da sobra do edifício. Com o uso de uma simples regra de três, obtêm-se a altura do edifício.
“Se desejar um método mais complexo, amarre o barômetro na ponta de uma corda e balance-o como um pênduro, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g), no topo do edifício e no nível da rua; a partir da diferença dos valores de g, a altura do edifício pode ser calculada.”
“Finalmente” – concluiu. – “Se não for cobrada uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo, ir até o síndico e dizer-lhe: - Caro síndico, esse belo barômetro pode ser seu se o senhor me disser a altura deste edifício”.
Não sem alguma perplexidade, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta “esperada” para o problema. Ele consentiu que sabia, mas que também já estava farto das repetidas tentativas dos professores em definir-lhe como ele deveria pensar”.
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É desconhecida a autoria dessa interessante história. Há uma versão atribuida ao Físico R. Feinman. Outra, em francês, dá conta que Niels Bohr foi o aluno e Rutheford o professor. Ambos se tornariam Prêmio Nobel de Física. o Dr. Alexander Calandra, professor na cidade americana de St. Louis, publicou, em 1966, um conto inspirado em historieta lida na revista Readers Digest, em 1958. Se aceita, contudo, a probabilidade de que o relato teve origem em fato real.





