Crônicas de um Bar – 1º Capítulo.

Obviamente, como toda taberneira, tenho inúmeras histórias para contar. Provavelmente, algumas você não vai querer saber, mas muitas são interessantes e engraçadas. Agora tenho algo que preste: Crônicas! Com certeza vai ser mais uma merda que vou fazer. Mas, vamos! Pegue seu banquinho, compre sua garrafa de gim (pague antes, por favor) e sinta-se à vontade para xingar os “pilhos da futa” que sempre aparecem por aqui, a taberna “Bons Sonhos”.

1ª Parte.

               Sendo taberneira, podemos dizer que já vi muita coisa por aqui, na taberna “Bons Sonhos” (um nome bastante sugestivo, na minha opinião, pois foi dado depois da morte do meu terceiro marido). Cada noite é uma situação diferente. Novas e velhas caras passam por aqui todas as noites, me cumprimentando e, às vezes, até cantando.

              Certa noite, quando o movimento estava um pouco menor, um homem esquisito passou pela porta. Não me importei. Homens esquisitos entram todos os dias aqui. Senti cheiro de confusão.

– Téo. – Virei pro cara à frente do balcão, frequentador assíduo do bar.

– Diga, Rose. – O rosto do homem estava levemente rosado, juntando com os cabelos vermelhos, que o deixava com um ar muito mais “animado”.

– Tá vendo aquele homem ali? – Indiquei o homem estranho com o olhar.

– Sei.

– Puxa um papo com ele? Pergunta quem ele é, porque ele tá meio esquisito…

– Tá louca, mulher!? – Ele quase pulou de banco, me olhando com descrença.

– Te dou duas horas de bebida grátis. – Dei um sorrisinho.

– Me dá mais uma garrafa que eu já tô indo.

             Então, com o passo levemente cambaleante, o Ruivo (como é normalmente chamado) chegou na mesa do “intruso” e depois de 2 minutos de papo voltou, alarmado.

– Rose, esconda todas as notas de 100. – E o Ruivo sentou na minha frente. Fiz o que ele pediu. Aquele intruso não devia ser boa coisa. – Ele falou o quê pra você? – Perguntei, sempre curiosa.

– Falou que não queria papo, que tinha uma pistola e que se eu não saísse de perto ele iria me estourar. – Ele tomou um longo gole da bebida. – Logicamente, eu não discordei.

– Rose. – Sheila, uma das garçonetes chegou perto. – O homem da mesa cinco pediu rum.

– Quanto? – Perguntei.

– A garrafa toda. Ele deve estar mal, olha a cara dele… – A mocinha loira virou-se para o homem esquisito, com pena.

– Humpf… – Resmunguei. – Espero que ele pague. – Entreguei a garrafa para a menina.

– Sheilinha, quando você vai lá pra casa? – O ruivo perguntou, e ganhou um tapa na cara, enquanto Sheila ia embora com sua minissaia. – Um dia eu ainda consigo…! – Ruivo gritou, rindo.

– Bêbado desse jeito, nunca vai conseguir nenhuma garota. – Falei, me escorando no balcão.

– Não estou bêbado, estou alegre. – Ruivo passou a mão na cabeça, gargalhando. – Além do mais, sou o humor em pessoa. Ela TEM que gostar de mim.

– Sem juízo… – Sorri, até ver dois caras entrando pela porta.

Meu coração disparou. Olhei para um cartaz de “procurados” por trás do meu balcão. Eram eles. Dois filhos de uma cabrita caolha. E vieram assaltar o meu bar. Tirei algumas notas de 50 e guardei onde estavam as de 100. Não queria perder todo o meu dinheiro. Peguei no balcão a garrafa de bebida mais barata que eu tinha (caso precisasse acertar alguém) e fui até um dos meus clientes mais fiéis, João Miguel Bala-Perdida (que, tirando pelo nome, não era nenhuma flor, mas até que me tratava bem), e pedi ajuda.

– Isso é um assalto! – Escutei, juntamente com o barulho de tiros. Meu coração aumentou o passo, e eu segurei a garrafa com força. – Quem é o dono dessa porcaria!?

– Sou eu, seu *ilho da *uta! – O homem esquisito levantou numa velocidade incrível, enquanto sacava a pistola da mão.

– Ai, é? – O homem mais alto, que parecia ser mais perigoso, e que estava armado, olhou ao redor, parando os olhos em mim. – Quero o dinheiro todo daqui.

– “Ai, é?” – O homem esquisito imitou uma vozinha afetada, e, com um estrondo, atirou na arma do bandido, que com um estrondo, caiu pela janela. – Vão embora, agora.

Os dois bandidos olharam para o homem esquisito, João Miguel, ao meu lado, estava pasmo.

– Pode crer, infeliz, esse dia terá uma revanche! – Os bandidos começaram a sair. – Vou levar sua alma para o inferno.

– Não se preocupe. – O homem esquisito sorriu, batendo as botas. – O diabo já me aceitou há muito tempo.

Abri um sorriso. Quero esse homem todos os dias no meu bar! Mais um cliente, e proteção garantida. Desculpe, João, mas ele venceu.

– Moça. – O cara virou para mim. – Meu nome é Jack. Tome cuidado, isso aqui é um alvo certeiro.

– Não se você estiver aqui, bonitão! – Bianca, outra garçonete, gritou lá de trás, o que me fez rir.

– Obrigada, senhor. – Eu falei. – Pode ficar com essa bebida de graça, como recompensa.

E foi dessa maneira que conheci o maior defensor da taberna Bons Sonhos, Jack Od’Onnel.

~ por Taberneira em Novembro 14, 2008.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: