Alice, a machista

 

Desde que eu era criança, minha mãe dizia:

– Alice, você é uma menina de respeito! Não pode sair por ai andando atrás dos meninos!

Por isso, segui o conselho dela e, hoje em dia, só ando na frente deles. Se é que me entendem.

Apoiei meus sapatos Prada no topo da mesa do bar onde eu estava, me deitando na cadeira. A cerveja estava pela metade na garrafa e no copo, mas eu não queria mais bebê-la. Faltava um toque a mais.

O problema é que, sendo tão despojada como eu era, os “toques a mais” se intimidavam comigo. Claro que muitos viraram meus amigos fiéis, mas para namoro…

 Não que eu fosse feia. Longe disso. Mas quando eu abria a boca saiam coisas do tipo:

– Aquele juíz fulera roubou no jogo de ontem;

Ou:

– A FDP da minha irmã fez o favor de espalhar as calcinhas dela pelo banheiro…

E até mesmo um:

– Cara, você é muito gostoso. Tem telefone?

Alguns riam, achando que era piada, mas quando notavam que eu estava falando sério, se afastavam. E eu nem posso evitar. Algumas vezes, uns se arriscavam, mas quando viam que eu seria tão dura quanto eles, se esquivavam.

Naquele dia, o bar estava relativamente vazio. Uma garçonete passou por mim e empurrou meus pés para o chão, me olhando com cara de mal-comida. Eu já ia falar algo quando vi o mais delicioso pedaço de mau-caminho entrando pela porta e olhando para mim.

E ele veio em minha direção.

– Está sozinha, anjo? – Ele perguntou. Apesar da minha carinha meiga e cabelos louros como o sol da manhã, de anjo eu não tinha nada.

– Estava sim, até você aparecer. – Tentei ser galanteadora, mas parece que não funcionou. Eu senti ele se intimidar quando soltou um sorriso amarelo e sentou-se na cadeira vaga à minha frente.

– Erick. – Ele estendeu a mão, a qual apertei firmemente.

– Alice. – Falei de volta. Controle-se e aja como uma mulher, eu disse a mim mesma.

– Incomodo sentando aqui? – Erick perguntou, com seus olhos cor-de-mel olhando bem na minha cara.

– Nãao, porra. Pode ficar. – Falei, entornando o resto da cerveja que havia no copo e colocando mais. Ele me olhou estranho e franziu o cenho, desconfiado. Será que eu estava parecendo um travesti?? Empinei os seios para ele saber que eram de verdade, mas…

– Escuta, moça. Alice. Eu tenho que ir. – Erick levantou, e eu arregalei os olhos. Eles nunca tinham fugido tão rápido. – Fica pra próxima.

Eu fiquei quieta, olhando para o nada. É foda! Homem diz que mulher é fresca, que não entende e que não presta, mas basta me encontrar que fogem!

Continuei olhando para o copo, pensando. Mas que se dane! Não é a primeira vez nem a última que um carinha foge… Mas, poxa, era o mais gostosinho…

____________________________________________________

É, mais um postizinho meu que provavelmente não vai dar em nada. Mas, ei, quem liga? Eu não…!

~ por Taberneira em Setembro 29, 2009.

3 Respostas to “Alice, a machista”

  1. E depois dizem que mulheres é que é dificil de se entender.
    ;S

    Tô contchigo, Alice. ;D

  2. “É, mais um postizinho meu que provavelmente não vai dar em nada. Mas, ei, quem liga? Eu não…!”

    Pare já com isso, mocinha. ¬¬’

  3. Parei, parei…! Eu juro. (só hoje)

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: